Entrevista com Ricardo Neves

Como prometido é devido a TchiowaHub foi ao encontro de mais um jovem talento Cabindense, o que se pode considerar um génio na computação, ele é o Ricardo Jorge da Costa Melo Neves, de 20 anos de idade, Estudante da Universidade Agostinho Neto, Faculdade de Ciências do curso de Ciências da Computação criador da plataforma Nsalici um software para evitar mortes causadas por sinistralidade rodoviária.

TCHIOWAHUB: Quando começou a sua paixão pela tecnologia?

RICARDO NEVES: Eu comecei a gostar de tecnologia a partir do momento que a minha mãe comprou o seu primeiro computador isso quando tinha 9 anos e eu tentava explorar coisas no computador mas por não ter conhecimentos sólidos na altura então muitas vezes danificava o mesmo até que tive o meu primeiro PC aos 12 anos, onde digamos que foi o meu laboratório e só melhorou porque tive o meu primeiro Smartphone e era um Iphone 3GS e eu explorava o máximo dos recursos dos mesmos mas nessa altura ainda não programava e nem sabia como começar mas já reparava computadores.

TCHIOWAHUB: Fale-nos do seu percurso no mundo digital, concursos em que participaste e os desafios encontrados a cada conquista.

RICARDO NEVES: Em 2016 eu conheci alguém que eu considero um dos meus mentores que é o Efren Capita também nato de Cabinda e ele me ensinou a programar em PHP e enquanto aprendia estava a fazer o software para Gestão e Controlo de Estrangeiros Ilegais em território nacional e participei na Feira do Inventor e Criador Angolano em 2016 e conquistei o primeiro lugar mas não houve nesse ano a fase nacional, porque o Ministério de Ciência e Tecnologia não tinha condições financeiras de realizar a fase nacional e os Governos provinciais tinham que patrocinar a ida a feira internacional de ideias, invenções e novos produtos de Sigla IENA a feira é sempre realizada na Alemanha, decidi sair de Cabinda e quis sair de Angola, mas infelizmente as condições financeiras não permitiam então fiquei por Luanda, fui para Universidade Agostinho Neto, comecei a estudar na Faculdade de Ciências no Curso de Ciências da Computação onde foi me dada uma chance de ir para IENA em 2018 mas não me sentia a vontade com a ideia, mas em 2019 me foi dada a mesma oportunidade mas antes tinha que passar pela FIDUAN que é a Feira de Inovação e Desenvolvimento da Universidade Agostinho Neto onde eu trabalhei com colegas e amigos com a orientação do Doutor Mateus Padoca Calado trabalhamos em 2 projectos um é o E-dislexia que é um jogo para ajudar crianças com dislexia (transtorno que afeta habilidades básicas de leitura e linguagem) e outro é o Nsalici que é um software mobile que tem como objectivo a redução de mortes causadas por sinistralidade rodoviária, na FIDUAN nenhum dos dois ganhou mas mesmo assim o Departamento de Ciências da Computação decidiu levar os mesmos para IENA 2019.

TCHIOWAHUB: Ficou surpreso com o reconhecimento que o projecto Nsalici teve? Porque acha que o mesmo conseguiu chamar tanta atenção?

 RICARDO NEVES: O Nsalici venceu uma medalha de ouro por ser um projecto inédito para mundo por causa de encarar uma nova visão para resolução das mortes causadas por sinistralidade rodoviária e na Alemanha eu descobri que foi a melhor opção eu não ter ido antes e ter ganhado mais maturidade e conhecimento e para mim foi muito surreal ter trabalho num projecto que conquistou uma medalha de ouro numa feira internacional.

 

TCHIOWAHUB: Qual foi a sensação de participar na feira Internacional de invenções, ideias e novos produtos em Nuremberg na Alemanha?

RICARDO NEVES: Confesso que estava tudo bem até ver os projectos de países como a China, Corea do Sul, Russia entre outros fiquei com medo e com a impressão que não devia estar ai mas já estava então tinha que participar, mas a experiencia foi muito boa porque para além das possíveis premiações e o patenteamento dos mesmos também aparece sempre investidores de diversas partes do mundo querendo investir bem como as pessoas dos outros países que ajudam na troca de experiencias e ideias, tive a sorte de conhecer um senhor da Arábia Saudita que construiu um gerador abastecido por areia a  me dar umas dicas muito valiosas para o aperfeiçoamento do Nsalici então o clima vivido lá é muito bom mas só eram 2 países africanos a participar, Angola e Marrocos e nós eramos os únicos lusófonos, então é meio que nos sentíamos sozinhos mas ao mesmo tempo estar a concorrer com países potencias da tecnologia no mundo e conquistar uma medalha de ouro é uma sensação inexplicável, tanto que depois de descer do palco tropecei e cai umas 2 vezes e tive que ser levantado a alegria foi tanta.

TCHIOWAHUB: Para quando é que teremos o aplicativo Nsalici no Google Play Store?

RICARDO NEVES: O projecto por ser feito e apresentado a Universidade então agora ele é pertencente a ela e nós não poderemos agir de maneira singular no momento, não tenho informações de uma possível publicação dos mesmos porque as instituições de direito como policia, bombeiros, INEMA não se pronunciaram então até o momento não temos como avançar.

 TCHIOWAHUB: Como jovem programador e com as conquistas alcançadas, és uma fonte de inspiração para a juventude angolana, de que formas pretendes contribuir para o crescimento do Ecossistema tecnológico de Cabinda?

RICARDO NEVES: - Apostar em Startups para resolução de problemas da sociedade Angolana e Africana.

 – Apostar no ensino da programação aos jovens principalmente aos que vivem em zonas do país mais carenciadas ou com sérios problemas de acesso de internet por exemplo

 – Parar de olhar para Cabinda como só fonte de petróleo e apostar em mecanismos de levar as sedes de várias empresas de base tecnológica isso é angolanas e africanas e não só transformado Cabinda numa espécie de Silicon Valley.

Administrador Longuka

Longuka é uma edtech focada no desenvolvimento e uso da tecnologia para potencializar o ensino e aprendizagem.